Uma vez, entre uma conversa e outra com uma amiga confiável, nós tocamos num assunto delicado. Sobre mim. E então eu afirmei: “mas eu quero isso, eu sei que quero isso” – repetindo. Ela me jogou um olhar inquisitivo, levantou uma das sobrancelhas e pendeu. Por um momento eu não entendi, mas ela clareou minha mente ao dizer: “tem certeza que você quer?”.
É claro que eu tinha!
E então ela continuou: “há mais dúvida do que certeza aí. E outra, não precisa repetir o que diz amiga, dá a entender que está tentando acreditar no que diz.”.
Essa pergunta me rodeou por dias, me fazendo pensar se eu tinha certeza tanto quanto insistia em dizer, ou pior, se alguma vez na vida já tive certeza sobre aquilo. Aquela coisinha no peito. Infelizmente a minha conclusão foi perceber que não dá para saber. É como se jogar num buraco escuro e desconhecido, sem saber onde ele vai parar.
Mas aí voltei a me questionar o porque não "arriscava" algum dos buracos.Talvez seja medo de me entregar e não ser aceita de braços abertos. Talvez seja a vontade incontrolável de poder abrir as asas e voar para outro galho. Talvez seja apenas como eu sou - assim meio instável. Talvez as peças não se encaixem no meu tabuleiro – ainda. Talvez, talvez eu não saiba o que é.
Essa pergunta me rodeou por dias, me fazendo pensar se eu tinha certeza tanto quanto insistia em dizer, ou pior, se alguma vez na vida já tive certeza sobre aquilo. Aquela coisinha no peito. Infelizmente a minha conclusão foi perceber que não dá para saber. É como se jogar num buraco escuro e desconhecido, sem saber onde ele vai parar.
"Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.

